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Histórias de cego - A Primeira Esmola a gente nunca esquece

Legenda: na foto, o protagonista da história. Ele mesmo, o guarda-chuva.

Meu nome é Marcos Lima, sou jornalista e vice-presidente da Urece Esporte e Cultura. Hoje dou início a um projeto, idealizado por mim e pelo Anderson Dias, que é o de uma nova coluna para o nosso site, algo mais interativo e mais leve do que os releases ou matérias oficiais que normalmente publicamos.

O objetivo de Histórias de Cego é aproximar os nossos leitores do  cotidiano das pessoas com deficiência visual. Sem ser ranzinza, a coluna pretende dar um peso menor à deficiência, trazendo os aspectos menos conhecidos da vida de uma pessoa que tem dificuldade de enxergar. Dificuldades e soluções, superação de obstáculos, tecnologia, preconceito e, sobretudo, muitas histórias. Aqui você pode perguntar tudo o que sempre quis e que nunca teve coragem. Não se preocupe, não existe pergunta feia ou boba demais. Lembre-se que a maior causa do preconceito é o desconhecimento!

É por isso que contamos com a sua participação. Mande dúvidas, sugestões de assuntos, suas histórias, críticas, utilizando o espaço de comentários ou o e-mail marcos@urece.org.br

Mas chega de tanto blábláblá, porque quero deixar um aperitivo do que pretendo que seja essa coluna, contando uma história que aconteceu comigo (e espero que vocês também mandem as suas).

A Primeira esmola a gente nunca esquece

Infelizmente, no inconsciente coletivo, o cego ainda é muitas vezes associado à figura do pedinte. E se é verdade que durante muitos séculos a pessoa com deficiência visual sobrevivia a custa de esmolas e mesmo ainda hoje não é tão impossível assim ver cegos tocando seu violão à espera de uns trocados, a imensa maioria dos deficientes visuais trabalha normalmente. Mas às vezes...

Vocês se lembram daquelas tempestades, em janeiro, que caíam quase todos os dias no final da tarde aqui no Rio? Então, uma delas me pegou no caminho entre a estação de metrô e a minha casa. Felizmente ou não, eu tinha comigo um guarda-chuva. No entanto, o vento era forte demais e logo de cara ele pareceu ficar danificado. Quão danificado? Sinceramente, não sei, porque tendo uma mão no próprio guarda-chuva e outra na bengala, não me restaram dedos para ver exatamente o que acontecera. E, mesmo com vento pela cara e mais pingos do que seria normal, prossegui.

Até que um cara jovem foi me ajudar a atravessar a rua. Como tinha que pegar em seu braço, ele me ofereceu de segurar o meu guarda-chuva. Aceitei, porque é impossível dividir as mãos entre bengala, guarda-chuva e ainda segurar no braço da pessoa. Ele comentou, em tom de brincadeira, alguma coisa sobre a minha sombrinha estar quebrada. Quando ele me devolveu o aparato antichuva, eu demorei uns três segundos para notar algo diferente. Pelo cabo, notei que o cidadão me dera outro guarda-chuva, não o meu. E pior, ele já não estava mais por perto.

Espantado, sem saber o que fazer, pensava em como solucionaria o problema, mas, por sorte (?) havia um carro mal estacionado no caminho e o mesmo cidadão veio me ajudar a livrar-me de mais essa. E então eu lhe disse "você me deu o seu guarda-chuva em vez do meu", ao que ele me respondeu: "fica com esse, o teu tá um lixo, eu vou jogar fora isso". E assim foi que eu ganhei a primeira esmola da minha vida.

por Marcos Lima

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ah Marquinhos, não acho que isso foi uma esmola. Eu diria que foi um presente! Parabéns pela iniciativa, estou certa de que não faltarão boas histórias para essa coluna!

 
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Eu concordo plenamente! Eu tambem nao acho isso uma esmola... Foi solamente um lindo gesto de uma boa pessoa... Eu ainda acho che as pessoas sao boas por naturaleza... Esse rapaz ali foi uma dessas pessoas...

Como sempre disculpem os erros de escritura...
Eu me esforco por escrever em portugues mas nao cocigo escrever direito... Espero melhorar...

Bejos!

 
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O bom das "esmolas para cegos" é que vire e mexe elas se extendem aos videntes que acompanham! Já pagaram até minha conta no bar! rs
Quero mais post, amigão! Isso aqui tá demais!

 
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Sensacional, Marcos!
Parabéns pelo blog, amigo. Você só me dá orgulho.
Beijo, beijo

 
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Olá Marcos!!!
Eu trabalho com sua mãe!!
Adorei esta coluna,posi gosto muito da forma como escreve.
Boa Sorte!!

 
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5

Olá Marcos!!!!
Eu trabalho com sua mãe e adorei esta coluna.
Já havia comentado com ela que adoro a forma com você escreve.
Boa sorte!!!
Beijos!!

 
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Marquinho,
realmente a história é boa. Aliás durante nosso convívio no America ouvi e vivi histórias muito interessantes como a do Anderson que queria ver o Romário, mas esta fica para outro dia. Parabéns e sucesso para vocês todos.

 
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Marquinhos, realmente o site precisava dessa coluna! Você tem muitas histórias! hahahaha. E me sinto honrada de ter participado de algumas delas (gravação no Maracanã antes do jogo do Fogão, por exemplo... inesquecível, haha). Quando falo que tenho um amigo cego, jornalista, inteligente DEmais, que trabalha na Urece, que faz mil atividades... a maioria das pessoas pergunta coisas banais, como: "ué, como ele envia e-mails para você?". Então, tenho que explicar.
Amigo, conta para todo mundo que você e tantos outros cegos "não enxergam obstáculos"!

 
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Aiiiiii Marquinhos... você é SENSACIONAL!!!!! rsrsrs
Precisa contar agora aquela estória de "quando for parar tem que fazer o barulho do freio de caminhão"...
HAHAHAHAHAHAHA
Quero mais!!!!!!!
Beijos

 
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Quando vi o título imaginei: Marquinho pegou um violão, cantou "cego estranho" ou o hino do Botafogo de traz pra frente e arrumou uma grana. Rogério preto tem uma ótima história também, ele contou no Pizza Grill e a galera foi a loucura.

Abraços!

 
 #

Lendo esse artigo, lembrei da primeira vez em que meu filho levou dois amigos cegos para a festa de aniversário dele. Eu nunca tinha tido nenhum convívio com pessoas cegas, e não sabia como lidar com a situação. Meu filho também não facilitou nada. Disse simplesmente que eu podia deixar que "tava tranquilo".
Na hora de servir os salgadinhos, eu - toda enrolada - disse para um deles:
- Olha, tem de carne, de queijo e de frango.
ele - Da esquerda para a direita ou da direita pra esquerda?
eu - Da direita pra esquerda.
ele - a minha ou a sua?
eu (mais enrolada ainda) - ah, prova que você vai saber!
Quando eu vi, estava todo mundo rindo da minha cara!!!
Bem, se vocês querem uma sugestão, aí vai: Digam como as pessoas videntes podem oferecer ajuda sem serem invasivas, como fazer um cego se sentir a vontade na sua casa sem "pagar muitos micos", como eu.
Beijos a todos!

 

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