Verificação de Acessibilidade em Hotéis Cariocas
No ano de 2007, em parceria com a Fundação Pestalozzi, a Urece Esporte e Cultura desenvolveu um projeto de verificação de acessibilidade para deficientes visuais junto a alguns hotéis do Rio de Janeiro. O objetivo era descobrir se a rede hoteleira carioca estava preparada para receber hóspedes com deficiência visual durante os Jogos Parapan-Americanos do Rio de Janeiro.
Quando se fala em acessibilidade, as pessoas restringem seu pensamento a rampas para cadeiras de roda, barras de ferro nos banheiros, portas amplas com maçanetas rebaixadas, itens fundamentais para atender deficientes físicos, mas que fazem pouca ou nenhuma diferença para um público ainda maior: o de deficientes visuais. Segundo o último censo do IBGE, 14 milhões de brasileiros possuem algum tipo de deficiência visual. Ou seja, 8% da população brasileira, que deixa de frequentar hotéis porque sabe que não vai ser recebida da forma mais adequada.
Acreditando que um contingente tão grande de potenciais hóspedes não podia continuar sendo negligenciado nos hotéis, a professora Vera Freitas da Fundação Pestalozzi convidou a Urece para realizar hospedagens técnicas em alguns hotéis do Rio de Janeiro. Participaram do projeto os hotéis de redes como Windsor e Othon.
As visitas foram realizadas ao longo do primeiro semestre de 2007. Eram sempre duplas, formadas por um deficiente visual e um guia especializado. Sem que os funcionários do estabelecimento fossem avisados sobre o teste , eles tinham a incumbência de visitar as instalações do hotel, além de participar de todas as atividades oferecidas. No final, atribuíam, segundo critérios previamente estabelecidos, conceitos de "péssimo" a "excelente" para o atendimento de funcionários, áreas de lazer, acesso ao restaurante, entre outros.
Os resultados do projeto mostraram que os hotéis analisados estão ainda distantes de atenderem satisfatoriamente ao público com deficiência visual. A partir daí, a Urece traçou algumas metas básicas que, aplicadas simultaneamente, tornam qualquer estabelecimento pelo menos 90% acessível a pessoas com baixa ou nenhuma visão.
* Produção de cardápios em braile, de preferência com preços sempre atualizados, de modo a dar ao deficiente visual independência no uso do restaurante do hotel;
* Produção de diretórios de quarto adaptados, em braile, de modo que o deficiente visual possa ter ao seu alcance informações que vão desde os ramais do telefone, passando pelos serviços oferecidos pelo hotel até os canais da televisão, itens que possibilitam uma hospedagem mais independente e autônoma;
* colocação de piso tátil nos principais acessos do hotel, principalmente no rol de entrada, restaurante ou demais espaços amplos de uso comum.
* Capacitação dos funcionários para atender a pessoas com deficiência visual, de modo que esses hóspedes possam ser tratados da mesma maneira que os demais.


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